Os termopares são sensores de temperatura formados pela junção de dois metais diferentes que, ao serem submetidos a uma diferença de temperatura, geram uma Força Eletromotriz (F.E.M.) proporcional à temperatura medida — fenômeno conhecido como Efeito Seebeck.

Existem diversas combinações de ligas metálicas classificadas como tipos de termopares. Cada combinação foi desenvolvida buscando alta potência termoelétrica, homogeneidade dos fios e boa resistência à corrosão dentro de sua faixa de utilização. Por isso, cada tipo possui uma faixa de temperatura ideal de trabalho que deve ser respeitada para garantir a maior vida útil do sensor.

Classificação dos Termopares: Básicos, Nobres e Especiais

Os termopares são divididos em três grandes grupos, de acordo com os metais utilizados em sua composição e a faixa de temperatura suportada:

1. Termopares Básicos

São os mais utilizados na indústria devido ao maior apelo comercial e menor custo. Fabricados com ligas de ferro, níquel, cobre e cromo, suportam temperatura máxima de trabalho de até 1.260°C (tipos K e N).

  • Tipos: J, T, E, K e N
  • Também incluem o tipo T, utilizado em temperaturas negativas de até -200°C

2. Termopares Nobres

Formados por platina e ródio, suportam temperaturas de até 1.780°C. Possuem alta estabilidade e precisão, sendo indicados para aplicações críticas e laboratórios de calibração.

  • Tipos: S, R e B
  • Custo até 4x maior que os termopares básicos devido ao uso de metais nobres
  • Em algumas situações, podem ser usados até em temperaturas inferiores a 1.150°C, graças à sua alta estabilidade

3. Termopares Especiais

Pouco comercializados, utilizados em situações bem pontuais na indústria, geralmente para medição de temperaturas acima de 1.820°C.

  • Tipos: C (Tungstênio-Rênio) e outras combinações especiais
  • Aplicações restritas a processos de altíssima temperatura, como fornos de fusão e indústria metalúrgica pesada

Como Escolher o Tipo Correto de Termopar

A escolha do tipo de termopar depende de fatores como:

  • Faixa de temperatura do processo
  • Tipo de atmosfera: oxidante, redutora, inerte ou vácuo
  • Precisão necessária para o processo
  • Custo-benefício entre metais básicos e nobres
  • Vida útil esperada do sensor

Detalhamento dos Tipos de Termopares

Termopar Tipo T (CuCo — Cobre/Constantan)

Composição: Positivo: Cobre | Negativo: Cobre-Níquel (Constantan)

Faixa de temperatura: -200°C a +370°C

  • Adequado para atmosferas oxidantes, redutoras, inertes e vácuo
  • Excelente para medições de temperaturas abaixo de zero
  • Boa precisão dentro de sua faixa de utilização
  • Boa resistência à corrosão em atmosferas úmidas
  • Não recomendado acima de 310°C devido à oxidação do cobre

Aplicações: câmaras frigoríficas, indústria alimentícia, processos criogênicos.

Termopar Tipo J (FeCo — Ferro/Constantan)

Composição: Positivo: Ferro | Negativo: Cobre-Níquel (Constantan)

Faixa de temperatura: -40°C a +760°C

  • Utilizado em atmosferas oxidantes, redutoras, inertes e vácuo
  • Não recomendado em atmosferas sulfurosas
  • Não recomendado para temperaturas abaixo de zero
  • Baixo custo, um dos motivos de sua ampla utilização industrial

Aplicações: indústria plástica, prensas, moldes, fornos de baixa e média temperatura.

Termopar Tipo E (CrCo — Cromel/Constantan)

Composição: Positivo: Níquel-Cromo (Cromel) | Negativo: Cobre-Níquel (Constantan)

Faixa de temperatura: -200°C a +870°C

  • Próprio para atmosferas oxidantes e inertes
  • Em ambientes redutores ou vácuo, perde suas características termoelétricas
  • Adequado para uso em temperaturas abaixo de zero
  • Maior saída termoelétrica (F.E.M.) entre os termopares básicos

Aplicações: indústria química, criogenia, laboratórios.

Termopar Tipo K (CrAl — Cromel/Alumel)

Composição: Positivo: Níquel-Cromo (Cromel) | Negativo: Níquel-Alumínio (Alumel)

Faixa de temperatura: -200°C a +1.260°C

  • Recomendável para atmosferas oxidantes ou inertes
  • Ocasionalmente pode ser usado em atmosferas redutoras com proteção adequada
  • Um dos tipos mais utilizados na indústria devido à ampla faixa de temperatura
  • Sujeito ao fenômeno de "green rot" em atmosferas com baixa concentração de oxigênio

Aplicações: fornos industriais, tratamento térmico, petroquímica, cerâmica.

Termopar Tipo N (NicNis — Nicrosil/Nisil)

Composição: Positivo: Nicrosil (Níquel-Cromo-Silício) | Negativo: Nisil (Níquel-Silício)

Faixa de temperatura: -200°C a +1.260°C

  • Desenvolvido como evolução do Tipo K, com maior estabilidade térmica
  • Maior resistência à oxidação e ao "green rot"
  • Melhor desempenho em ciclos térmicos repetitivos
  • Recomendado para substituir o Tipo K em aplicações mais críticas

Aplicações: fornos industriais de alta exigência, petroquímica, siderurgia.

Termopar Tipo S (PtPtRh10% — Platina/Platina-Ródio 10%)

Composição: Positivo: Platina + 10% Ródio | Negativo: Platina pura

Faixa de temperatura: 0°C a +1.450°C

  • Alta precisão e estabilidade a longo prazo
  • Utilizado como padrão internacional de calibração de temperatura
  • Recomendado para atmosferas oxidantes ou inertes
  • Fácil contaminação, requer tubo de proteção adequado

Aplicações: laboratórios de calibração, indústria farmacêutica, aeroespacial.

Termopar Tipo R (PtPtRh13% — Platina/Platina-Ródio 13%)

Composição: Positivo: Platina + 13% Ródio | Negativo: Platina pura

Faixa de temperatura: 0°C a +1.450°C

  • Similar ao Tipo S, porém com maior saída termoelétrica
  • Alta reprodutibilidade e estabilidade em altas temperaturas
  • Recomendado para atmosferas oxidantes ou inertes

Aplicações: laboratórios metrológicos, indústria de vidro, calibração de instrumentos.

Termopar Tipo B (PtRh30%PtRh6% — Platina-Ródio 30%/Platina-Ródio 6%)

Composição: Positivo: Platina + 30% Ródio | Negativo: Platina + 6% Ródio

Faixa de temperatura: +500°C a +1.700°C

  • Maior faixa de temperatura entre os termopares nobres padronizados
  • Não requer compensação de junta fria em temperatura ambiente
  • Baixa saída termoelétrica abaixo de 50°C
  • Alta resistência à oxidação em temperaturas extremas

Aplicações: fornos de altíssima temperatura, siderurgia, fundições, cerâmica avançada.

Tabela Resumo: Potência Termoelétrica dos Tipos de Termopares

Grupo Tipo Composição (+/-) Faixa (°C) F.E.M. Relativa
BásicosTCobre / Constantan-200 a 370Média
JFerro / Constantan-40 a 760Média-Alta
ECromel / Constantan-200 a 870Mais Alta (entre básicos)
KCromel / Alumel-200 a 1.260Média
NNicrosil / Nisil-200 a 1.260Média-Baixa
NobresSPt / PtRh 10%0 a 1.450Baixa
RPt / PtRh 13%0 a 1.450Baixa-Média
BPtRh 6% / PtRh 30%500 a 1.700Muito Baixa
EspeciaisCTungstênio-RênioAcima de 1.820Variável

Envelhecimento e Vida Útil dos Termopares

Todos os termopares sofrem envelhecimento ao longo do uso, processo no qual as ligas metálicas perdem gradualmente suas propriedades termoelétricas devido à exposição contínua a altas temperaturas, oxidação e contaminação química.

Fatores que influenciam a vida útil do termopar:

  • Temperatura de trabalho em relação ao limite máximo do tipo
  • Atmosfera do processo (oxidante, redutora, sulfurosa)
  • Bitola do fio (fios mais espessos duram mais, porém respondem mais lentamente)
  • Ciclos térmicos (variações constantes aceleram o desgaste)
  • Presença de contaminantes químicos no ambiente de trabalho

Conclusão

Compreender a classificação dos termopares em Básicos, Nobres e Especiais, assim como as características específicas de cada tipo, é essencial para garantir a escolha correta do sensor de acordo com a aplicação industrial.

Os termopares básicos (J, T, E, K, N) atendem à grande maioria das aplicações industriais com excelente custo-benefício. Já os termopares nobres (S, R, B) são recomendados para processos de altíssima temperatura ou que exigem maior precisão e estabilidade, como laboratórios de calibração e siderurgia.

A Salcas fabrica desde 1988 uma linha completa de termopares — Tipos K, J, T, E, S, R, B e N — em versões convencionais e de isolação mineral, sempre em conformidade com as normas técnicas nacionais e internacionais vigentes.